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panico

Transtorno do Pânico: o que é isso?

Mas que transtorno é esse? Por que ele inicia-se? Tem cura?, são perguntas ouvidas com frequência na clínica psicológica – e psiquiátrica.

Não raras vezes, o paciente até chegar ao diagnóstico do Pânico, passa diversas vezes por urgências de hospital – imaginando que está tendo um enfarte, em muitos casos, – e vários consultórios médicos. Infelizmente, apesar da grande divulgação da doença, muitos profissionais ainda demoram a fazer o reconhecimento, diagnóstico e encaminhamento.

O Transtorno do Pânico ou Síndrome do Pânico é uma psicopatologia que aparece no rol dos transtornos de ansiedade, de acordo com os manuais de doenças mentais (sendo o CID-10, a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, e o DSM-IV, o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais).

Os sintomas são acompanhados de intenso medo ou desconforto e pelo menos 4 dos 13 sintomas físicos :

(1) palpitações ou ritmo cardíaco acelerado  (2) sudorese  (3) tremores ou abalos  (4) sensações de falta de ar ou sufocamento (5) sensações de asfixia (6) dor ou desconforto torácico (7) náusea ou desconforto abdominal (8) sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio (9) desrealização ou despersonalização (10) medo de perder o controle ou enlouquecer (11) medo de morrer (12) parestesias (anestesia ou sensações de formigamento) (13) calafrios ou ondas de calor

As crises podem ser desencadeadas por algum estresse ou situação desagradável que acabou de acontecer, porém algumas pessoas relatam que elas “aparecem do nada”.
Ao longo do tratamento psicológico vai-se trabalhando a ideia de que as crises dificilmente apenas surgem, elas são formas que o corpo encontrou para sinalizar que algo não vai bem, ou seja, são reações emocionais que o corpo passa a apresentar.

“Por que eu?”, é uma pergunta muito ouvida.

Não há uma explicação que possa satisfazer a pergunta do porquê A desenvolve pânico e B, o TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo, por exemplo.

Vamos imaginar, de uma forma simplista, que algumas pessoas têm tendência à doenças respiratórias e outras não. O raciocínio seria mais ou menos o mesmo e, repito, falando de uma forma simplista e reducionista.

Porém, o que eu percebo na clínica sobre os pacientes que desenvolveram o Pânico é que, geralmente, eles são preocupados com os problemas da rotina, apresentam necessidade de controlar situações, rigidez, altas expectativas (para si e para o outro); são pessoas produtivas, responsáveis e com um desejo de superar-se a qualquer custo. São pacientes que, geralmente, enfatizam as queixas somáticas e minimizam os aspectos emocionais.

Qual é o tratamento?

Bem, isso vai depender da intensidade e freqüência das crises. Algumas pessoas irão precisar de terapia combinada urgentemente com a medicação – no caso, o ideal é ser acompanhado por um psiquiatra e não por um clínico geral, por exemplo. Outras poderão apresentar melhora significativa sem a necessidade de medicação, precisando, sem dúvida, de psicoterapia semanal.

É difícil falar sobre cura, pois a mesma pode ter conotação diferente para cada profissional. Meu olhar, particularmente falando, é de que a cura não é finalidade e sim, consequência. Se há o pânico, muito se passa na vida desse paciente, muito precisa ser conhecido e reconhecido, cuidado e trabalhado internamente. Então, o “desaparecimento” do transtorno não conotaria, necessariamente, a cura e sim uma forma mais saudável que o paciente encontrou para viver; sem a necessidade de seus problemas cotidianos aparecerem através de sintomas e patologias.

Importante salientar que ter UMA crise de pânico, não significa que você tenha o transtorno.

E outro ponto é que você não é o transtorno, ele está fazendo parte da sua vida neste momento. Os sintomas são formas de ser-no-mundo daquele indivíduo, naquele momento da sua existência. Não é o pânico que define quem você é e o caminho a ser seguido; apesar dele ser muitas vezes limitador e fazer o paciente “ter medo de ter medo” novamente, você vai além da doença.

É uma pessoa que tem suas atividades, família, tem responsabilidades, lazer, preocupações. O transtorno, enquanto ele está presente na vida do paciente, faz parte do seu contexto.

Não se pode reduzir, jamais!, o paciente a um diagnóstico.

Obs.: Não confundir Pânico com as Fobias.

Na dúvida, procure um psicólogo.

Élida Cunha  –

Especialista em Psicologia Clínica Humanista Existencial Fenomenológica. Gestalt-terapeuta. Mestranda em Psicologia pela UFRN.


Comentários (1)

  • Maria Isabel

    Muito bom, meninas! Texto informativo e claro. A visão de “ser-no-mundo” amplia nossas possibilidades de “ser”, o que vai além do transtorno e/ou da crise. Parabéns pelo texto, Élida.