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Quem sou eu?

               Durante um módulo de uma especialização em clínica fenomenológica, a professora fez um questionamento acerca de quem éramos. Isso gerou uma reflexão além da sensação de dificuldade em responder tal pergunta. É tão difícil nos definirmos e, quando precisamos fazer isso, geralmente escolhemos características e atividades que exercemos como resposta. Por exemplo: sou psicóloga, mestranda, organizada, estudiosa, baixinha, magra, etc… Mas será que apenas características, físicas ou ligadas a atividades/profissão, são suficientes e, de fato, nos definem?

         Estamos tão acostumados a sermos cobrados, durante nossa vida, sobre nossa aparência, sobre nossas conquistas profissionais, que nem nos damos conta que, às vezes, acabamos por nos definir apenas por isso e achamos suficiente.

              O questionamento em sala me fez revisitar toda a história da minha existência, de forma a lembrar e refletir sobre tudo aquilo que vivi e senti, todos aqueles que passaram pela minha vida e que, de alguma forma, contribuíram para quem eu sou hoje, sejam essas lembranças boas ou ruins. Assim, passado e presente tornaram-se uma coisa só, fluida, e se uniram ao futuro no pensar sobre quem sou e quem quero ser ainda, o que ainda almejo.Me fez perceber, então, que sou muito além da minha profissão e da minha aparência; sou também todas as afetações, sentimentos, lembranças, vivências e pessoas que passaram por mim até o dia de hoje, e tudo aquilo que ainda virá. Além de características, sou meus sentimentos e escolhas, tanto as que fiz quanto as que ainda irei fazer. Sou feliz e triste, raiva e euforia, fome e sede, sou filha, amiga, namorada, irmã, psicóloga, estudante, mas, acima de tudo, sou aquilo que me fez me tornar tudo isso, e sou, também, aquilo que mostro e que as pessoas veem em diferentes contextos. E nada disso quer dizer que sou limitada apenas a esses papéis ou essas dicotomias, pois não somos dicotômicos, mas multifacetados.

             E, claro, não podemos esquecer nunca, na tentativa de nos definirmos, que somos o mundo em que vivemos, a cultura e contexto no qual estamos inseridos. Estou imbricada num mundo, com outros seres ao meu redor com quem compartilho o meu mundo particular e, juntos, compartilhamos do mundo em que vivemos, pois somos sempre seres de relação; seres que precisam do olhar e do ouvir/falar do outro para, também, nos compreender, já que esse olhar do outro revela sobre nós mesmos. Dessa maneira, cada encontro com o outro, seja na vida (contexto pessoal) ou na atividade de psicóloga clínica, traz reflexões, aprendizados, sentimentos, que geram sentidos na facticidade na qual vivemos.

           Que tenhamos sempre em mente, então, que somos, como exposto anteriormente, nossas escolhas. Mas, assim como com a “definição” de nós mesmos, não somos limitados por elas. Escolhas e caminhos podem sempre ser revistos e mudados, e novas escolhas podem ser feitas. E que tenhamos sempre em mente que nosso futuro é agora, mas ele também é nosso passado, pois somos essa tríade (passado-presente-futuro) todo o tempo.

Laura Damásio

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