07
jun

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vestido

“Nada do que fui me veste agora”

(por Élida Cunha*)

Uma amiga me procurou esses dias, bem triste, dizendo não compreender como uma relação pode simplesmente acabar, “assim, sem explicação”. Ela se referia ao seu último namoro, no qual não teve brigas, mentiras. “Apenas” se desgastou e acabou. E será que isso é pouco?

E assim parece que são muitas relações, muitas acabam sem que nos preparemos para encerrá-la. Parece que vai caminhar e, numa esquina qualquer, se perde. E, às vezes, perder é nunca mais achar. Essa amiga complementou dizendo que não era justo, “por que precisava ser assim?”.

Amiga, não sei te responder, mas sei dizer que as coisas acontecem. Simples assim. Às vezes elas seguem um caminho mais florido e perduram por uma vida, mas às vezes elas perdem o sentido, ele escorre entre os dedos.

E preciso fazer um comentário, Amiga, inclusive parafraseando uma música que Maria Gadu (que você tanto gosta) canta: Tantas vezes você sentia que não existia espaço no mundo para você, “onde a vida me cabia apertada”. E, por mais que possa ver seu sofrimento, te digo o quanto te acompanhei nesse tempo de relacionamento e o quanto você cresceu, mudou, amadureceu, conquistou seu lugar no mundo, aprendeu a ser mais leve e não levar as coisas tão a sério. Aprendeu a demonstrar mais afeto, retirou seus muros. O quanto você se deixou ser chuva, escorrer livre.

Independente de ser o término de um namoro, o fim de uma amizade, a demissão de um emprego, a morte de alguém querido, as perdas permeiam nossa vida.

Vivemos e passamos por várias perdas ao longo dos anos, muita coisa não sei explicar, mas tem algo que tenho certeza: VOCÊ NUNCA SAI IGUAL A COMO ENTROU! Sempre crescemos, aprendemos.

Então, Amiga, fico triste que você esteja assim e que seu namoro tenha acabado, mas fico feliz de ver tantas mudanças em você. E, por favor, nada de voltar a ver a vida passar pela janela.

Nada do que eu fui me veste agora
Sou toda gota, que escorre livre pelo rosto
E só sossega quando encontra a tua boca

E mesmo que em ti me perca
Nunca mais serei aquela
Que se fez seca
Vendo a vida passar pela janela

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*Élida Cunha é Mestre em Psicologia, Gestalt-terapeuta, Especialista em Psicologia Clínica e integrante do Núcleo Desvelar.

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