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fev

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descanso

Da necessidade de pausar

Da necessidade de pausar

(Por Élida Cunha*)

No início de 2016 tirei duas semanas para descanso, como faço todos os anos. E uma conhecida ficou abismada com essa minha pausa. Seu maior questionamento era se o psicólogo tira férias, afinal “se você tem essa profissão é porque não tem problemas, se não tem problemas, não tem estresse, então não existe cansaço. Então por que tirar férias?”.

Por um segundo pensei em alguma resposta mais ‘mal-criada’, mas logo me dei conta que a dúvida dela é a de muita gente e que, em alguma medida, muitos de minha profissão reforçam uma ideia errônea sobre a psicologia. Então, fui calmamente explicar alguns pontos a ela, e pensei que seria interessante dividir isso com vocês, aqui no blog. No entanto, vou me ater mais à necessidade de dar uma pausa, de diminuir a velocidade da vida, do que à atuação do psicólogo em si.

Primeiro começo falando de algo muito natural: a necessidade de descanso. Há pessoas que precisam de mais tempo para descansar e que essa pausa aconteça com mais frequência. Outras, não. Mas o fato é que parar um pouco é fundamental para sua saúde física e mental, para realizar seu trabalho com mais prazer e eficiência – jamais podemos deixar de fora a questão de ser eficiente, uma cobrança diária que é própria da era moderna – e, é aqui que quero chegar, é fundamental para estar em sintonia consigo mesmo.

Eu prezo muito por estar, ou ao menos buscar, essa sintonia interior. É ela, fazendo par com o autoconhecimento, que vai te apontar os caminhos a serem seguidos. Em conexão consigo fica mais simples perceber quando a demanda do mundo está te levando as forças e você precisa pausar, mesmo que seja por apenas um fim-de-semana.

Há pessoas que se sentem melhor indo caminhar na praia, fazendo maratona de seriados, atividades físicas, contato com algum Ser supremo ou apenas dormir. O que vale é poder respirar um pouco mais fundo e desconectar um pouco desse mundo corrido que não para de acontecer lá fora.

Repito: parar é fundamental!

E essa é uma das minhas constantes recomendações terapêuticas aos meus pacientes, na clínica. Sem isso, você adoece, vai perdendo a energia de vida, ficando cada vez mais cansado, irritado, distante das coisas e pessoas que você gosta, inclusive mais distante de si mesmo.

A troco de que seria o não parar? De trabalhar-mais-para-ter-mais-dinheiro-para-comprar-um-carro-melhor? E quando você adoecer, o carro vai sentar do seu lado, na cama, segurar sua mão e cuidar de você? Acho que não… Pois então foco no que é mais importante: saúde, família, sossego na vida e felicidade.

Um adendo importante: não estou estimulando que pare de correr atrás do que se quer, de trabalhar, comprar algo que deseje muito, etc. Apenas jogando um pouco de holofote no equilíbrio, na importância de poder viver no mundo consumista (que todos nós somos, em maior ou menor medida), mas também poder viver bem, em paz e saudável.

Então, independente da profissão que tenha, da série que faça no colégio, do período da faculdade etc, pare um pouco. Descanse.

Permita-se cuidar de si mesmo. Permita-se buscar seu bem-estar. Permita-se estar bem.

PERMITA-SE TER QUALIDADE DE VIDA!

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*Élida Cunha é Mestre em Psicologia, Gestalt-terapeuta, Especialista em Psicologia Clínica e integrante do Núcleo Desvelar.

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