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infelicidade

A ditadura da infelicidade.

       Ultimamente algumas circunstâncias cotidianas me fizeram refletir sobre como levamos nossas vidas. Veio-me a seguinte pergunta: com quais lentes tenho olhado para minha existência, hoje? Tenho dialogado com muitas pessoas que aprenderam desde cedo a esperar e ver sempre o lado negativo de tudo. Às vezes acham que não merecem as coisas boas da vida, outras vezes têm medo de criar expectativas boas e se frustrarem.

      Será que precisamos mesmo construir a nossa existência sob o olhar do pessimismo? Vivemos tentando controlar o que nos acontece. Será que é tão difícil aceitar a vida suave e fluida como ela se mostra?  Percebo que quando permitimos o fluxo natural das coisas, até os nossos fardos se tornam mais leves, ficam livres das representações que criamos e que muitas vezes só intensificam os nossos problemas.

    Vivemos tempos em que ser feliz é um verdadeiro decreto, que as pessoas buscam incessantemente por uma felicidade inatingível, pois não passa de uma representação que criamos. Talvez por isso, muitas pessoas estejam vivendo a ditadura da infelicidade, buscam para si o projeto do outro, e retiram de si a responsabilidade pela sua própria existência. Buscamos que algo de bom nos aconteça, mas o que temos feito para que isso se concretize?

      Parece que vivemos construindo identidades para nos sentirmos mais seguros, esses perfis ditam como devemos agir, não podemos sair da linha, senão corremos o risco de não nos reconhecermos mais. Fazemos de tudo para nos mantermos iguais, parece ser mais confortável assim, mudar é ameaçador. E quando nossas identidades estão envoltas em crenças negativas que nos paralisam e até sufocam? Será que devemos passar a vida toda aprisionados a essas amarras? Atualizar-se é preciso. Não nos esqueçamos de limpar diariamente as lentes dos nossos óculos. Que a gente possa se permitir olhar para a vida exatamente como ela é. Para além do pessimismo, a vida é uma brisa suave.

Mariana Duarte

Psicóloga Clínica

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