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A arte do autocuidado

(Por Élida Cunha*)

Conversando com algumas pessoas próximas, nas últimas semanas, algo me chamou atenção: a questão do cuidado. Melhor falando, do autocuidado.

Não é segredo que é costumeiro que queiramos e esperemos receber cuidado por parte das pessoas: família, amigos, namorado(a), etc. E, às vezes a reclamação é grande. É a mãe que nunca cuidou como se esperava (e isso dá uma boa discussão sobre expectativas es obre o que se espera da mulher), o pai que é distante e frio, o namorado que some quando mais se precisa dele, os amigos que, envoltos em suas rotinas, deixam a desejar… A lista de queixume é grande.

Mas aí, o que realmente me fez refletir, é o nosso papel individual, o papel de cada um de nós. Ok, necessito ser cuidada, mas o que EU faço por mim mesma? Cobro que o outro me olhe com ternura e compreensão, mas nem eu me trato dessa forma!

Vivo tão no automático que nem me dou conta de minhas necessidades reais; não me dou conta que minha alimentação é terrível, que faz anos que não faço atividade física, que não faço um checkup no médico, que não saio para ouvir a música que gosto, que nem sei quais os filmes estão passando no cinema, que não cuido minimamente da minha aparência, que não planejo nada para o meu futuro, que esqueci de sonhar, que não visito mais os meus amigos, que não me permito apreciar o mar…

Faz tempo que não cuido de mim. E o autocuidado está nas mínimas coisas, nos mínimos detalhes diários.

E, então, como posso querer que o outro me nutra se nem eu mexo uma palha por mim mesma? Quem sabe se, cuidando de si, o cuidado lá fora vai começar a, timidamente, despontar?

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Élida Cunha é Mestre em Psicologia, Gestalt-terapeuta, Especialista em Psicologia Clínica e integrante do Núcleo Desvelar.

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